Dica da nutri
“Meu filho não come nada”: o que fazer quando a criança é seletiva
Por Maria Cunha, nutricionista · CRN6 39540 · 8 de novembro de 2026
Resposta curta
Quando a criança aceita poucos alimentos, o caminho não é insistir nem esconder legume na comida. É apresentar o alimento sem pressão, várias vezes e de jeitos diferentes, até ele deixar de ser estranho. Comer vem por último.
É frescura ou é seletividade?
Quase toda mãe que chega no consultório fala a mesma frase: “ela não gosta de nada”. Às vezes é uma fase. Às vezes a criança realmente aceita pouquíssimos alimentos, sempre do mesmo jeito: a mesma marca, a mesma cor, o mesmo prato. Isso tem nome, seletividade alimentar, e não é frescura nem culpa de ninguém.
A criança tem medo do que não conhece. Um alimento novo tem cheiro, cor e textura diferentes, e para ela isso é um risco. Quanto mais a gente força, mais esse medo cresce.
Por que brigar na mesa piora?
Porque a refeição vira guerra. A criança passa a ligar comida a briga, choro e castigo, e aí até o que ela comia começa a ser recusado. Já escutei muito “já escondi legume na comida e não adiantou”. Não adianta mesmo: quando ela descobre, perde a confiança no prato.
Então o que fazer em casa?
- Coloque o alimento na mesa sem cobrar. Pode ser no prato do adulto, do lado, perto dela. Só estar ali já é um passo.
- Deixe pegar, cheirar e brincar. Primeiro conhece, pega, sente e cheira. Provar vem por último.
- Repita sem desistir. Uma criança pode precisar ver o mesmo alimento muitas vezes antes de aceitar provar.
- Mude o jeito de servir. A cenoura recusada cozida pode ser aceita ralada, em rodela ou em palito.
- Comam juntos. A criança aprende vendo a família comer.
Quando procurar uma nutricionista?
Quando a lista de alimentos aceitos é muito curta, quando a hora de comer virou sofrimento para todo mundo ou quando você já tentou de tudo e cansou. Na consulta eu escuto a família, vejo a rotina e os exames, e a gente monta um plano possível, aos pouquinhos.